Aumento de roubos de carros faz preço dos seguros subirem 25% no estado do Rio

O aumento no roubo de carros no estado do Rio gera estatísticas assustadoras e cifras exorbitantes. Segundo o Instituto de Segurança Pública, em abril, foram 4.891 ocorrências, uma média de 163 veículos levados por dia. Um aumento de 50,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando a média diária era de 108. Comparando-se o acumulado dos quatro primeiros meses deste ano (17.434 roubos) com o mesmo período de 2016, o aumento foi de 5.049, ou 40,8%. A violência impacta também no bolso do motorista. Na hora de contratar o seguro do carro, os valores no estado estão, em média, 25% mais caros.

Na Região Metropolitana do Rio, a alta é ainda maior e, dependendo da área, o reajuste pode chegar a 168%, como para quem mora em São Conrado.

Segundo o diretor executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Julio Rosa, a redução da oferta de peças automotivas de reposição pela indústria, decorrente da diminuição da produção de veículos, teria desabastecido os distribuidores e, consequentemente, provocado um aumento da procura por peças no mercado ilegal.

Alta variação entre os bairros do Rio

Uma corretora, que acompanha a variação de preços em algumas regiões do estado, constatou aumentos de preços, entre janeiro de 2016 e fevereiro deste ano, que variam de 56% (Catete) a 168% (São Conrado). O perfil usado na pesquisa de valores foi de um homem de 40 anos, que mora em prédio e tem vaga em casa e no trabalho, percorre 25 km entre a residência e o trabalho, tem habilitação desde os 18 anos e o seguro é novo (não é renovação). O carro usado nas cotações foi um Gol 1.0 flex, 2017, que custa R$ 37.600.

Segundo esse levantamento, o motorista que mora ou circula em Vila Isabel, na Zona Norte, pagou em média R$ 2.050 pelo seguro do Gol zero, em janeiro de 2016. Em fevereiro deste ano, o valor passou para R$ 4.232: 106% a mais.

A conta vem ainda mais alta para quem vive em regiões com recorde de roubos. Em municípios da Baixada, como Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis, o seguro do Gol pode custar R$ 6.500, segundo a única seguradora que respondeu à pesquisa. As outras quatro consultadas não aceitaram o risco de segurar esse modelo naquelas localidades. O mesmo aconteceu com bairros do Rio como Marechal Hermes e Guadalupe, onde o seguro sai por R$ 7.560, ou Coelho Neto, Honório Gurgel e Pavuna, que tiveram cotações “mais em conta”, R$ 7.289.

Maioria dos crimes ocorre de 18h a meia-noite

Levantamento feito pela Fenseg com a frota segurada mostra que 47% dos roubos e furtos de veículos aconteceram das 18h à meia-noite; 40%, de 6h a 18h; e 13%, entre meia-noite e 6h. A pesquisa revelou ainda que a Zona Sul, historicamente com percentual baixo desses crimes se comparada a outras áreas do Rio, teve aumento de 45,77%. Os bairros da região com mais ocorrências são: Flamengo, Ipanema e Lagoa. A Ilha do Governador, na Zona Norte, também chamou atenção, com alta de 77,56%.

Moradora do Jardim Botânico, Renata Sforza, de 51 anos, usou o bônus do seguro do carro antigo, que não foi acionado no último ano, e conseguiu uma boa negociação para segurar o veículo novo.

— Mas ainda estou usando o carro velho, porque tenho medo de assalto — admite.

Com motivo: a delegacia mais próxima, a 15ª DP (Gávea), registrou aumento de 26,7% nos roubos de carro de 2016 e para este ano.

Seguradoras já abandonam algumas áreas

Presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio e do Espírito Santo, Roberto Santos ressalta que o aumento de preço dos seguros, provocado pelos altos índices de roubo de carros, não é interessante para clientes nem seguradoras:

— As seguradoras não gostam de aumentar o valor do seguro, porque acabam vendendo menos. Há seguradoras que deixaram de trabalhar com carros de clientes que moram ou circulam em determinadas regiões do Rio, como Nilópolis e Mesquita. Pelo menos duas estão pensando em sair do Rio. É uma atividade que não é mais rentável no Rio de Janeiro.

Segundo Roberto, que atua no mercado de seguros há 37 anos e acompanha as estatísticas de roubos de carro, esse tipo de crime alcançou níveis assustadores no estado.

— Em determinadas regiões, a média de aumento chega a 70% — diz Roberto, que sugere a quem não tem garagem fechada a contratação de uma. — Vai fazer o valor do seguro cair em cerca de 30%.

Fonte: extra.globo.com

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